HomeOutrosSou Piriguete ! Sou ou não sou?

Sou Piriguete ! Sou ou não sou?

Sou Piriguete ! Sou ou não sou?

Esta semana estava em minha sala de trabalho, quando ouvir no celular de um irmão o toque com a musica “toda boa’. Fiquei a meditar: antes era a indústria publicitária, que nos impregnava com uma avalanche de estereótipos, sendo a mulher o alvo principal. É a coisificação da mulher, vítimas das desvantagens indiscutíveis da posição ocupadas por elas dentro da estrutura, gerada pela subserviência e desigualdade, e do autoritarismo e atitudes antidemocráticas adotada pelo machismo. Uma minoria tenta mudar tal conceito, outras acabam aprendendo a conviver com eles. Hoje as musicas brasileira se encarregam de tal legado. Em tais musicas vemos conceitos e preconceitos perpetuados, retratando a mulher nos mais variados aspectos: afetivos, profissionais, intelectuais e outros. Nestas musicas a mulher é, sobretudo objeto do discurso masculino a partir de seu próprio imaginário.

Logo, ela não é um ser real, mas construído, um objeto-representação, com o qual a mulher de carne-e-osso trava uma relação de espelho e para detrimento do feminino, busca corresponder à figura cantada em vez de condená-la.

Esta construção estereotipada se dá nas condições sociais concretas da sociedade brasileira, atingindo o comprometimento ideológico da mulher. Um novo mito permeia suas mentes: a de ser um símbolo sexual; ou no mínimo sustenta o estereotipo de gostosa e foguenta. Versos eram compostos com linguagem e conteúdos que elevava as mulheres brasileiras ao seu lugar (pedestal): “agora chegou minha vez de cantar, mulher brasileira em primeiro lugar”. Hoje o hit do carnaval, e uma das mais tocadas no país a é musica: “toda boa”. Mais uma vez estereotipando a mulher como piriguete ( mulher que consegue as mais diversas vantagens, utilizando-se da sedução de seu corpo). Toda mulher brasileira tem de ser delicia, gostosa? Todas têm que levar a marca de objeto sexual? O compositor (se é que pode chamá-lo assim) cria nesta musica um ser idealizado retratando-o numa forma estereotipada a mulher possuída, construindo este novo mito.

“O negocio é o seguinte minha gente…
Vocês já me conhecem de cabo a rabo…
De rabo a cabo… Quero dizer a vocês:
Eu Sou Piriguete !
Sou ou não sou?
E toda piriguete que se presa ela também é problemática!
É ou não é?
agora uma coisa que eu tenho certeza…
É que eu sou toda boa”

O que me pasma é que nas imagens transmitidas, eram as mulheres as mais acaloradas em coreografias erotizantes. Onde está a mulher companheira, esposa, mãe, filha? Cadê o grito de desmistificação e manutenção da sua participação na sociedade, mantendo a construção de uma postura própria, influindo na elaboração e manutenção de diálogo, ainda que incipiente? Que haja uma perspectiva de mudanças na linguagem e conteúdo de tais musicas e que tais estereótipos não alcancem as mulheres da nossa igreja.

Pr Dário Gomes

(a cor é para homenagea-las)

Compartilhar com:
Avalie este artigo

Pastor Dário Gomes é o pastor auxiliar da ADESAL – MARECHAL RONDON Setor 21 Salvador – Bahia. Com mais de 320 artigos publicados e milhares de acessos todos os dias, é autor de um dos blogs mais lidos da Bahia.

dariogomespr@hotmail.com

Sem comentários

Deixe um comentário