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Para que você não compre gato!

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A POBREZA NA PERSPECTIVA DA BÍBLIA DE ESTUDO BATALHA ESPIRITUAL E VITÓRIA FINANCEIRA

“A minha oração é que você, ao estudar esta Bíblia única, tenha uma nova revelação de Deus […].” (Morris Cerullo)
“É chegado o momento da liberação de uma unção financeira especial […].” (Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira)
A presente Bíblia já é conhecida de muitos, visto que é bastante divulgada no programa Vitória em Cristo, apresentado pelo Pr. Silas Malafaia. Nosso propósito neste post é comentar o que a mesma trás quando o tema é “pobreza”, e deixar claro os seus erros doutrinários, fruto de uma exegese tendenciosa, que a distancia neste aspecto, da teologia cristã ortodoxa.
Observe a nota sobre “pobreza”, publicada na referida Bíblia:
“Pobreza é escravidão! Ela amarra as pessoas, impedindo-as de terem as coisas que necessitam. A pobreza leva à depressão e ao medo. Não é a vontade de Deus que você viva na escravidão da pobreza. É hora de Deus acabar com a escravidão das dívidas e da pobreza no meio do seu povo! É chegado o momento da liberação de uma unção financeira especial, que quebrará as cadeias da escassez e o capacitará a colher com abundância!” (Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira)
Discordo destas idéias e declarações. Passarei a citar ordenadamente as idéias e declarações, comentando logo em seguida as mesmas:
1. Pobreza é escravidão
Pobreza não é escravidão, trata-se apenas de uma condição sócio-econômica, fruto do pecado, da acomodação, da injustiça social, do egoísmo e de outras mazelas. Você pode ser pobre, e mesmo assim, não ser escravo da pobreza. Você ser pobre e ser feliz! João Batista (Mt 3.4; Jesus (Lc 2.21-24 com Lv 12.8), Pedro e João (At 3.1-6), Paulo (2 Co 6.10) e tantos outros servos de Deus, apesar de pobres não eram “escravos” da pobreza. É preciso lembrar que a riqueza também pode pode promover escravidão (Mt 6.19-24). Desta maneira, não é a pobreza ou a riqueza em si que torna alguém escravo, mas sim, a forma como lidamos com essas condições sócio-econômicas.
2. A pobreza leva à depressão e ao medo
A pobreza “pode” levar alguém à depressão e ao medo, mas não necessariamente. Todos nós conhecemos pessoas que sobrevivem com poucos recursos financeiros, que não são depressivas nem vivem amendrontadas, pois confiam no Senhor que supre todas as nossas necessidades (Mt 6.31-34). Conhecemos também muitos ricos que são depressivos e amedrontados. A própria Bíblia adverte quanto ao males da riqueza mal adquirida e administrada (1 Tm 6.9-10).
3. Não é a vontade de Deus que “você” viva na escravidão das dívidas e da pobreza no meio do seu povo
Você quem? Isso significa que todos os crentes deveriam ser ricos? Você quem? Aquele que comprou a referida Bíblia, ou foi alcançado por seus princípio e ensinamentos? Não amados, nem todos seremos ricos. As razões pelas quais isto não vai acontecer são as mais diversas e complexas possíveis e envolvem fatores sociais, pessoais, espirituais, circunstanciais e outros. Se você contribui com as suas ofertas e dízimos, é trabalhador honesto, se esforça para manter-se qualificado na profissão que exerce, administra com sabedoria o salário que recebe e mesmo assim não alcança a riqueza, não fique triste nem frustrado, contente-se com o que tens (Fp 4.11; Hb 13.5). Seja rico para com Deus (Lc 12.21). Saiba que o mais importante nesta vida não é o quanto você tem, mas o que você é diante do Senhor. Se um dia você ficar rico, dê graças a Deus, se nunca isso acontecer, dê graças a Deus também (1 Ts 5.18).
4. É hora de Deus acabar com a escravidão das dívidas e da pobreza no meio do seu povo
Por qual razão Deus só resolveu acabar com a escravidão das dívidas e da pobreza agora, se os fundamentos da interpretação de Morris Cerullo sempre estiveram na Bíblia? Será que Jesus, Paulo, os demais apóstolos, os pais da igreja, os reformadores, os missionários que experimentaram fome e nudez pela causa do mestre nunca enxergaram isso? Deus os privou desta “visão” (aliás, mais uma daquelas visões que só trazem confusão e promovem heresias no Reino de Deus)? Somos uma geração “especial”? Outra coisa, quem disse que a riqueza acaba com as dívidas? Muitos ricos estão proporcionalmente mais individados do que alguns pobres. A questão da dívida relaciona-se com a forma com de administrarmos os recursos e não em sermos pobres ou ricos.
5. É chegado o momento da liberação de uma unção financeira especial
Trata-se de mais uma “unção especial”, como foi a “unção do riso”, “unção do leão” e outras “unções”, todas fruto de uma interpretação bíblica equivocada e tendenciosa, desassociada de uma análise exegética séria e genuinamente cristã (é bom lembrar que boa parte dos argumentos e notas da citada Bíblia está fundamentada no Antigo Testamento em promessas direcionadas para o povo de Israel). Não existe uma “unção especial financeira”. O que a Bíblia nos revela é a bondade, generosidade, misericórdia e graça de Deus, que faz com ele derrame abundantedemente suas dadívas sobre aqueles que contribuem com alegria e liberalidade, promovendo assim socorro aos necessitados, recursos para a obra missionária, manutenção do trabalho do Senhor e o suprimento de outras necessidades (2 Co 9.6-15).
Com temor e tremor.

Pr. Altair Germano 03/02/2008

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Pastor Dário Gomes é o pastor auxiliar da ADESAL – MARECHAL RONDON Setor 21 Salvador – Bahia. Com mais de 320 artigos publicados e milhares de acessos todos os dias, é autor de um dos blogs mais lidos da Bahia.

dariogomespr@hotmail.com

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