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O cordão umbilical precisava ser cortado!

O cordão umbilical precisava ser cortado!

João – 2.1 – 12.

A cena se passa em Caná, uma cidade situada a uns quinze quilômetros ao norte de Nazaré, nas colinas da Galiléia. A festa era de núpcias, ato essencial que marca uma mudança de vida de uma pessoa: o momento em que um homem e uma mulher deixam seus respectivos lares para criar uma nova família, uma etapa de transição em que o individuo, definitivamente, vira as costas para a infância e se torna adulto. É neste cenário de transição que ocorre a maior e mais importante transição na vida de Jesus e Maria sua mãe foi a maior contribuinte para este momento decisivo. É a palavra dela que desencadeia tudo e que vai tornar o acontecimento possível. Uma tragédia está acontecendo: no meio da festa o vinho acabara. Uma catástrofe! Esse é um dia em que tudo deve sair absolutamente perfeito aos olhos dos convidados. A palavra chave é que “não deve faltar nada”. Por causa deste episódio se inicia um dialogo entre Maria e Jesus a respeito do vinho. Ela toma a iniciativa para dizer ao filho: “Eles não têm vinho”. Este dialogo será o espaço das palavras entre ela e ele, no qual haverá uma separação das duas pessoas: Jesus adquire sua independência como filho. Este é realmente seu ponto de partida, ele se torna adulto. Maria não indica a Jesus o que ele deve fazer, nem lhe pede nada, ela faz apenas uma constatação. O que sempre me intrigou é porque Jesus responde de uma maneira “brutal”, para não dizer “violenta”: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora”. Jesus como homem (filho de Maria) vivia um conflito. Curiosamente, ele se expressa com uma negação. Ele compreende no seu inconsciente, e por isso hesita, pois era chegado o momento que teme e que preferiria evitar. Em psicanálise, essa forma de resposta é denominada denegação: expressar a idéia como se a recusasse. Uma confissão disfarçada. Maria estava lhe indicando o momento de viver, por ele mesmo, o futuro imprevisível e de assumir o destino que o insere na dimensão da morte, da morte dele, começando com a morte do que havia de confortável nesse “par” mãe e filho. Com estas palavras, ela corta o cordão umbilical que ainda permanecia preso a ela, um cordão que por ser invisível era ainda mais forte. Alguma coisa ainda resiste nele. Em sua resposta ele se apresenta extremamente humano. Outro fato importante é que neste momento de indecisão de Jesus, Maria toma novamente a palavra se dirigindo aos servos de maneira enérgica: “fazei tudo o que ele vos disser”. O cordão foi cortado! Ela não especifica “meu filho” – ele não lhe pertence mais; ela se refere a Jesus usando “ele”, isto é, “outro que não sou eu”. Era chegada à hora, Maria não tem dúvidas sobre o que Jesus vai decidir. Maria oficializa o acontecimento, isto é, a autonomia total de Jesus em relação a ela. Sua missão precisava ser cumprida. “Este sinal milagroso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele.” V 11.

Pr Dário Gomes

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Pastor Dário Gomes é o pastor auxiliar da ADESAL – MARECHAL RONDON Setor 21 Salvador – Bahia. Com mais de 320 artigos publicados e milhares de acessos todos os dias, é autor de um dos blogs mais lidos da Bahia.

dariogomespr@hotmail.com

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