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Alegrai-vos pelas aflições!

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Alegrai-vos pelas aflições!

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“MAS ALEGRAI-VOS NO FATO DE SERDES PARTICIPANTES DAS AFLIÇÕES DE CRISTO”, 1Pd 4.13

As aflições de Cristo, segundo o próprio Cristo: “Já a caminho de Jerusalém, Jesus tomou os doze discípulos à parte e falou-lhes no que lhe ia acontecer quando chegassem. Serei entregue por traição aos principais sacerdotes e os mestres da lei, que me condenarão à morte e me entregarão ao governo romano. Farão pouco de mim e serei crucificado, mas ao terceiro dia voltarei a viver”, Mt 20.18,19.

Com a experiência de uma testemunha presencial, o apóstolo Pedro fala da participação dos salvos nas “aflições de Cristo”. Sua carta foi escrita “aos eleitos de Deus, peregrinos dispersos”, 1.1, àqueles que, vivendo no mundo, nele se consideravam “peregrinos e forasteiros” nele, ou seja, aos que viviam pela fé em Cristo, Hb 11.13,14. Magistralmente, ele separou as “aflições de Cristo” daquelas oriundas das atitudes humanas, as quais, no mais das vezes, podem ser evitadas, 1Pd 4.15. Ainda no capítulo 1, ele fala da indispensabilidade dos “eleitos de Deus” serem “entristecidos por todo tipo de provação”, para aferição da fé individual em Cristo: “Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado”,1Pd 1.7.

Outro santo aspecto da participação dos salvos nas “aflições de Cristo”, é que o participante delas tem participação garantida na glorificação de Cristo; ou seja, como Cristo sofreu e foi glorificado, o salvo que sofre as mesmas aflições também será glorificado com Ele: “Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria”, 1Pd 4.13.

A garantia da glorificação eterna do participante das “aflições de Cristo” determina obrigatoriamente mudança na valoração das aflições. O apóstolo Paulo depois de experimentar tribulações “as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida”, 2Co 1.8, as classificou como “leve e momentânea tribulação” que necessariamente “produz para nós um peso eterno de glória mui excelente”, 2Co 4.17.

À guisa de entendimento do que Paulo classificou como “leve e momentânea tribulação”, recordemos com ele alguns dos seus sofrimentos por amor a Cristo: “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas”, 2Co 11.24-28.

A informação de que “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas”, por si só é capaz de nos fazer compreender a grandeza das tribulações que, por pouco, não o louvou a perder “a esperança da própria vida”. Na lei de Moisés, a pena de açoites a um condenado judeu está descrita em Dt 25.1-3: “Se houver contenda entre alguns, e vierem a juízo para serem julgados, justificar-se-á ao inocente, e ao culpado condenar-se-á. E se o culpado merecer açoites, o juiz fará que ele se deite e seja açoitado na sua presença, de acordo com a gravidade da sua culpa. Até quarenta açoites lhe poderás dar, não mais; para que, porventura, se lhe der mais açoites do que estes, teu irmão não fique envilecido aos teus olhos”. Os chicotes eram de couro cru e de ossos de animais, a vítima ficava de joelho na frente do carrasco, de forma que os chicotes alcançavam as costas e os peitos. Um prisioneiro não podia receber mais de 40 chibatadas por isso os carrascos apontava só 39, daí podia começar de novo. Evidentemente que os sobreviventes após a cicatrização das feridas traziam as marcas das chicotadas. O apóstolo Paulo disse aos irmãos da Galácia que “trago no meu corpo as marcas daquilo que tenho sofrido pela causa de Jesus”, Gl 6.17.

Finalmente, o apóstolo Paulo indica os acontecimentos que marcam a vida espiritual dos participantes das “aflições de Cristo”: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal”, ou, “Somos atribulados de toda a maneira, mas não definitivamente esmagados; perplexos mas não desanimados. Somos perseguidos, mas não desamparados por Deus. Somos derrubados, mas levantamo-nos e prosseguimos. Tal como o Senhor Jesus, o nosso corpo enfrenta constantemente a morte, a fim de que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos. Sim, vivemos em constante perigo de vida por servirmos o Senhor, mas isso dá-nos constantes oportunidades da vida de Jesus Cristo se manifestar nos nossos corpos mortais”, 2Co 4.8-11.

Lindas as constatações: “somos atribulados, mas não angustiados”, quer dizer que as perseguições e as opressões a mim infligidas, não me esmagam não me destroem, antes me estimulam a prosseguir; “perplexos, mas não desanimados”: ou seja, sentir-se desorientados, estar em dúvida, estar muito perturbado. Não raro, o salvo vivendo o espiritual dentro da dimensão humana, é tomado de perplexidade diante de certos acontecimentos para os quais não encontra explicação suficiente e confortadora. Não é sem causa que o profeta Jeremias disse a Deus: “Senhor, tu me enganaste, e eu fui enganado”, Jr 20.7, e o apóstolo Paulo: “Contudo, por vezes penso que Deus nos pôs a nós, apóstolos, no lugar mais baixo da escala social, a par de condenados à morte; vamos como que numa parada triunfal ao lado dos prisioneiros que vão ser executados, e expostos em espetáculo ao mundo inteiro e também aos anjos (…) Até agora temos sido tratados como a sujeira das valetas, o lixo do mundo”, 1Co 4,9,13; “Somos perseguidos, mas não desamparados por Deus”: a palavra dele a Timóteo bem confirma a sua afirmação: “Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram. Que isso não lhes cobrado. Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada, e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão”, 2Tm 4.16,17; “abatidos, mas não destruídos”: o apóstolo Paulo passou várias experiências que lhe abateram, como, por exemplo, o abandono de todos no final de seu ministério, 2Tm 1.12,15; 4.10,14; entretanto, pode ao final de tudo, dizer: “Porque, no que me diz respeito, a minha vida já tem sido derramada como uma oferta a Deus; já está próximo o tempo da minha morte. Combati o bom combate; acabei a carreira da minha vida; guardei a fé”. Triunfando sobre o abatimento, não destruído, terminou sua atribulada vida na terra, guardando o que nos é mais precioso: a fé. Isto é o significado de “ALEGRAI-VOS NO FATO DE SERDES PARTICIPANTES DAS AFLIÇÕES DE CRISTO”. AMÉM

Pr.  Abiezer Apolinário

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Pastor Dário Gomes é o pastor auxiliar da ADESAL – MARECHAL RONDON Setor 21 Salvador – Bahia. Com mais de 320 artigos publicados e milhares de acessos todos os dias, é autor de um dos blogs mais lidos da Bahia.

dariogomespr@hotmail.com

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